O Podcastologia

Logo do Podcastologia por Roberto Camara Jr.
Faz uma alusão à Podcast quando a letra P é formada por um fone de ouvido

O mundo dos Podcasts no Brasil e no exterior. Com as notícias e análises da podosfera local e internacional, além de dicas de equipamentos, edição, roteiro e tudo mais o que você precisa para saber mais sobre a mídia em si.
Seja você iniciante, entusiasta ou um profissional, o Podcastologia é voltado não só para Podcasters e fãs, mas também para que o mercado publicitário possa ver o podcast como um meio de comunicação a ser explorado.
É feito por quem quer entender a mídia, explorar suas possibilidades e não somente dar um play no seu programa predileto. Por quem acredita que Podcasting, como mídia, principalmente aqui no Brasil, ainda está no começo de sua fase de expansão, mas permite diversas possibilidades criativas e de entretenimento.
Espero que a jornada seja tão interessante para você como é, para mim fazer a curadoria, estudar cada assunto, comentar, analisar e compartilhar contigo.
Se está lendo isso, é porque aceitou me dar o que muitos acreditam ser o mais valioso do mundo on line: O clique. E por isso, sou extremamente grato.
Assim sendo, seja muito bem vind@ ao Podcastologia.

Afinal, o que é um Podcast?

Digamos que você faça o upload do último episódio do seu podcast, dê a ele um título e publique-o. Seus ouvintes recebem esse episódio automaticamente em seus telefones, em todos os tipos de aplicativos, em todos os tipos de dispositivos, em todo o mundo. Como? Por quê? Que tipo de mágica acontece quando você aperta esse botão de publicação? O que é um podcast, mesmo? A resposta é um pouco confusa, mas é também o que mantém o podcast aberto, flexível e democrático.
Ao contrário do que muitos pensam, Podcasting é um formato de mídia surpreendentemente antigo e simples da internet. E embora isso seja muito legal, é justamente isso o que a torna um pouco confusa e diferente de como outros tipos de mídia funcionam na Internet.
Apenas um pequeno aviso: isso aqui vai ficar um pouco mais técnico a partir de agora, mas vale a pena continuar.

Isso porque todo esse “encanamento” – a estrutura básica da internet – foi construído há algum tempo, quando a tecnologia era bem diferente.

Podcasts: Um pouco de história

Por exemplo, vamos voltar à virada do milênio:

Naquela época, alguns desenvolvedores criaram uma forma dos sites distribuírem artigos automaticamente. Foi chamado de RSS. Um feed RSS é basicamente um arquivo para o qual os editores da Web podem adicionar entradas, como uma maneira de distribuir postagens de blogs, feeds de notícias ou qualquer outra coisa, na verdade. Lembra do Google Reader? Essa foi uma maneira de coletar e ler feeds RSS. Você “assinava” – sem custo algum, é bom dizer – os sites que gostava e recebia automaticamente os últimos posts / artigos em um único lugar, de forma contínua e dinâmica.

Trocando em miúdos, é como se você tivesse assinaturas de um ou mais jornais e/ou revistas. Ou seja, não precisa mais sair de casa, ir até a banca ou procurar seu jornaleiro predileto. Seus jornais são trazidos até você, todos os dias no mesmo horário. Ou melhor ainda: assim que a notícia é publicada! Além disso, nada impede que você assine mais de um jornal, correto? Isso é um feed. Com a diferença de que você não precisa pagar por estas assinaturas. Isto é, você não precisava mais abrir outra página do navegador – naquela época não havia guias – e ir até o seu site favorito para ler as últimas notícias: elas vinham até você.

Alguns anos depois de o RSS ter sido desenvolvido como uma maneira de distribuir texto, ele conseguiu incluir outros tipos de mídia, como áudio e vídeo. E foi esta a “mágica” que possibilitou o surgimento dos podcasts.

Você podia usar programas especiais para se inscrever em feeds (assinaturas) de podcast. Esses programas, que eram chamados de podcatchers, uma vez instalados no seu computador, verificariam estes feeds para, automaticamente, cada vez que você se conectasse à rede a procura de novidades ele baixasse automaticamente os arquivos de áudio. Era como transmissões de rádio, por exemplo… que você podia ouvir quando quisesse… no seu iPod.

Isso tudo estava acontecendo no início dos anos 2000, meio que não oficialmente. Para encontrar podcasts, você precisa saber onde procurar, pegar os links para o feed RSS de cada podcast e adicioná-los manualmente ao seu podcatcher. Mas em 2005, Steve Jobs anunciou que os podcasts se tornariam uma parte oficial do aplicativo iTunes.

Este foi um grande negócio, porque significava que, por uma vez, havia um grande diretório central de podcasts, embutido em um programa que também podia baixar esses podcasts.

O funcionamento deste programa mostra um pouco da genialidade e simplicidade de todo o processo. Afinal, nada mais era do que apenas um diretório. Um grande índice de podcasts hospedados em quaisquer outros lugares, menos pela Apple. Essencialmente, quando você usava o iTunes para assinar um podcast, ele verificava o feed RSS original e baixava novos arquivos dos programas que você escolheu diretamente do host. Isso significava que a Apple não estava distribuindo podcasts. O iTunes estava lá apenas para ser basicamente um mecanismo de busca de podcasts, e facilitar a inscrição deles.

Algo assim pode não ser tão impressionante, mas, na época, era revolucionário. Tanto que, acredite ou não, é assim que funciona hoje ainda. Os podcasts no iTunes têm um novo nome: Apple Podcasts. Mas a tecnologia subjacente ainda é a mesma; episódios de podcast e feeds RSS são hospedados em outros lugares, e aplicativos como Apple Podcasts, Podcast Addict, CastBox, Beyond Pod e tantos outros agregadores de podcast são apenas grandes listas desses feeds. Incluindo os novos Anchor e Google Podcast e, claro, o bom, velho e renomeado Apple Podcast. Estes apps, são também chamados de “Agregadores” pois – como o nome já diz – podem agregar em um único lugar diversos feeds diferentes, isto é: diversos Podcasts diferentes.

Isso tudo afeta a sua experiência e a dos seus ouvintes de algumas maneiras. Por exemplo, quando um novo episódio é publicado, quase que imediatamente os diversos agregadores já conseguem identificá-lo. Isso porque os apps que os fãs deste podcast escolherem, já verificam esse feed diretamente e recebem a nova lista de episódios imediatamente. Mas você deve ter notado que seus novos episódios não aparecem nas listagens de agregadores imediatamente. Isso acontece porque esses diretórios verificam periodicamente seu feed em busca de novos episódios, a cada uma ou duas horas, para que haja um pequeno intervalo entre o momento em que você publica um novo episódio e quando ele é exibido nas listagens de pesquisa ou de exibição.

Então, por que esse ainda é o sistema que potencializa os podcasts? Eu gostaria de ter uma ótima resposta para isso. E há definitivamente pessoas inteligentes que gastam muito tempo pensando sobre como o feed RSS pode ser melhorado ou substituído por algo mais moderno.

Mas aqui está a coisa: a natureza básica de como os podcasts são hospedados e distribuídos é o que mantém o podcasting tão aberto. Qualquer pessoa em qualquer lugar pode iniciar um podcast e distribuí-lo exatamente da mesma maneira que as grandes empresas de mídia. Os podcasts são quase totalmente descentralizados e isso, geralmente, é uma boa notícia, especialmente se você for um podcaster independente. Você pode hospedar e distribuir seu podcast gratuitamente por causa da natureza aberta da tecnologia sob o podcasting.

Mas é legal que, sob os bastidores, o podcast ainda seja construído com a mesma tecnologia com a qual estreou há mais de uma década. É uma das poucas partes da internet que ainda é amplamente democrática e aberta. Essa é uma das razões pelas quais é tão atraente para mim. Ele tem um pouco daquela vibe de uma “gambiarra tecnológica” que tornou a web excitante em primeiro lugar. É uma parte da internet que ainda é construída para independência e democracia.

Acontece que por muito tempo, podcasts estiveram “escondidos” do grande público e mesmo sendo sucesso crescente entre os chamados “early adopters” – os “maníacos” por novas tecnologias – sempre foram considerados uma “mídia de nicho”. Este “nicho”, no entanto, está crescendo. Nos Estados Unidos, quase metade da população já ouviu um podcast. Na Austrália, entre pessoas de 18 e 75 anos, este número sobe para surpreendentes 91%! No Brasil, apesar de não ser uma pesquisa com embasamento científico, a Podpesquisa vem mostrando um aumento absurdamente alto no crescimento de ouvintes de podcasts no país. Nos últimos meses, o Google vem trabalhando para dobrar o número de ouvintes de podcasts ao redor do mundo.

Uma vez mais, damos a mão à palmatória: Steve Jobs tinha razão. Podcasts são mais mainstream do que nunca.

Agora que você já sabe toda a parte técnica do que é a mídia que tanto amamos, uma coisa é certa: Se você preferir e quiser continuar dizendo para os amigos e familiáres que Podcast é como um programa de rádio que você baixa e ouve quando e onde quiser, pode também, certo?

O importante é conseguir novos adeptos ao “nicho”(*)…

(*) Falaremos sobre isso em breve.

Roberto Camara Jr. é Gerente de Projetos, geek em potencial, quase nerd amador, pai da Elis, casado, completamente louco por Podcasts – como mídia – e Podcasting como meio de comunicação e acredita que Star Trek é uma visão do nosso próprio futuro. 

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